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MACHACA

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Eu Tenho Um Sonho - Discurso de Martin Luther King, Jr.

30.12.11 | Machaca

Eu digo a você hoje, meu amigo, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.

Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.

Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,

De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"

E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.

E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.

Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.

Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.

Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.

Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.

Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.

Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.

Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.

Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.

E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:

"Livre afinal, livre afinal.

Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."

28 de agosto de 1963

Carta aberta a Afonso Dhlakama

29.12.11 | Machaca

 

Exmo Sr. Afonso Dhlakama

 

 

Presidente da RENAMO

 

Com insistência escutamos os seus apelos para o recurso à
violência como forma de tomada do poder. Estes apelos evocam o retorno a um
tempo triste e sombrio por que a nossa nação passou.

Maputo, Sexta-Feira, 9 de Dezembro de 2011:: Notícias

Não fizemos ainda o luto desse tempo de guerra. Ainda
choramos os milhares de inocentes que foram assassinados, as escolas e os
hospitais que foram queimados, as ruínas e as cinzas onde deveria haver semente
e esperança. Nenhum de nós se recompôs totalmente desse pesadelo. Ninguém que
ame Moçambique e respeite o seu povo quererá reviver essa tragédia.  

Nos últimos anos, nós moçambicanos, fomos capazes de
produzir uma conquista valiosa e rara: a Paz. Essa conquista fez crescer, em
todo o mundo, o respeito por Moçambique. Como escritores sentimos orgulho de
fazer parte dessa heróica epopeia. Essa obra de reconciliação também lhe
pertence a si e à organização política que dirige.

A Paz e a Democracia em Moçambique não andam à procura de
filiação paterna. Nenhuma pessoa, nenhuma força política se pode intitular pai
ou proprietária dessas conquistas que apenas pertencem ao povo que superou o
passado e se fez construtor do presente.

O senhor Presidente da RENAMO poderia ficar na história
de Moçambique como alguém que ajudou a consolidar o processo de pacificação e o
reencontro dos moçambicanos consigo mesmos. As suas declarações, contudo,
deitam a perder essa possibilidade. Nenhum dirigente político se pode orgulhar
de usar o medo como forma de fazer valer as suas intenções.

A nação moçambicana não pode ficar refém do retorno à
violência. Os moçambicanos sabem que serão eles (e não os políticos que
encomendam os conflitos) as maiores vítimas da violência.

Os nossos compatriotas anseiam demasiado o futuro para
tropeçarem no medo do passado. Os moçambicanos esperam dos dirigentes políticos
que façam política. E que façam política para servir o povo e não para se
servirem dele, usando-o como carne para canhão. Os moçambicanos, de todas as
cores políticas, estão unidos numa única certeza: a guerra, nunca
mais.       

 

Mia Couto, Paulina Chiziane e Ungulane Ba ka Khosa